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Abandonei-me ao silêncio
Cantava por cantar, sorria por sorrir, no entanto, tudo não passava da fantasia irreal que só existia em mim.
A Dor que não sentia, a doença que não possuía e o sonho que não perdera…longe vão esses tempos em que era Verão todo o ano, em que saía com os amigos, em que o mais importante era o sonho.
Hoje o importante é a Vida, é o sentimento de acordar vivo todos os dias, a sensação de viver o momento e de ainda poder dizer “Hoje chove lá fora”.
O Mundo é baseado em aparências e guiado pelo dinheiro, nada mais importa até ao dia da sentença. Quando acontece aos outros só sai “Coitadinho, coitadinho”, palavras hipócritas de quem nunca sentiu a dor do coitadinho.
Que nojo me metes, mundinho!
De náusea e ódio me enches!
Eu sou o coitadinho das tuas cenas de piedade…Sou aquele para quem tu olhas de lado e de quem tens medo de falar podendo ficar infectado com esta doença que te deixará um caminho apenas…
Corpos, corpos e mais corpos, ocos e inúteis! Fracos em tudo e inexistentes para o meu ser cansado.
Vou deixar de sofrer, apenas vou ficar junto à cama à tua espera! Não me viro contra ti, pois sem ti não chegaria ate aqui. Anda Deus, não vou sofrer mais, vou deixar-me consumir e irei ter contigo…Todo este mundo deixou de fazer sentido para mim.
Kevin
11 Dez 2008
Admin · 144 vistos · 2 comentários
Neste espaço onde não tenho lugar...

Oiço o silêncio tentando acalmar o meu espírito e ganhando forças, mas apenas sinto a tempestade iminente de que estou prestes a entrar em abolição…acabei de descobrir que era portadora de um cancro, no entanto, estou calma e serena, lutando para que finalmente todo o desgosto e mágoa não me consumam indefinidamente!

Sinto o sabor do sal…mar? Não! Lágrimas? Que outro sabor poderia ter senão o da amargura…

É possível sentir o vazio?

É possível sentir-me como um barco no mar sem qualquer rumo?

Sim! Sinto-me sem rumo ou objectivo, sinto-me morta…sinto já não haver conserto…sinto-me perdida, avassalada em emoções num turbilhões de nada com nada de tudo e com tudo de nada…PERDIDA! Como poderá haver solução? Os médicos dizem que sim…mas a força? Onde está? Agora que preciso tanto dela…

Sinto uma extrema emergência em me amarrar a algo…mas a quê? Neste momento, tenho a nítida sensação de que tudo quanto tinha acabou por se destruir…apenas os meus amigos me puderam ajudara construir de novo uma pequena parte de mim…

Custódia Alves

28 Dez 2008
Admin · 99 vistos · 0 comentários